Museu Nacional Vive

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A PESQUISA ARQUEOLÓGICA NO PALÁCIO DE SÃO CRISTÓVÃO

Uma das seções da exposição “Bastidores da Ciência” apresenta informações e artefatos recuperados na pesquisa arqueológica que o Laboratório de Arqueologia Histórica do Museu Nacional vem desenvolvendo Palácio de São Cristóvão, com o apoio do Projeto Museu Nacional Vive. Confira mais informações sobre as peças exibidas e conheça melhor o projeto!

ARTEFATOS ARQUEOLÓGICOS RECUPERADOS

Durante a pesquisa, têm sido encontrados artefatos arqueológicos datados do século XIX, que nos permitem contar uma história muito mais inclusiva sobre as pessoas que lá viveram e trabalharam. São fragmentos de objetos confeccionados em cerâmica, porcelana, osso, vidro e metal, que estão associados – entre outras práticas – ao consumo de alimentos, ao trabalho, à higiene e à espiritualidade.

Os artefatos se referem a um cotidiano vivido por uma grande variedade de pessoas, conforme exemplificado na exposição. Confira mais informações sobre os itens:

1. Peça feita em osso que pode ter sido parte de um botão ou de um laguidibá, fio de contas usado por praticantes de religiões de matriz africana

2. Selo de bebida alcoólica….

3 a 5. Fornilhos de cachimbos de barro com padrões decorativos, comumente usados por pessoas escravizadas no Rio de Janeiro do século XIX

6. Botão metálico com a inscrição “P II”, usado em fardamento dos militares destacados no Paço Imperial

7. Conjunto de botões em osso e madrepérola

8. Fragmento de porcelana chinesa comumente usada no Rio de Janeiro do período, com um padrão de inspiração chinesa denominado “willow”, que narra uma fábula romântica

9. Figa trabalhada em osso, encontrada no Rio de Janeiro em contextos do século XIX com presença africana e afrodescendente

10. Fragmento de molheira em porcelana com o Brasão Imperial, encontrado próximo à Casa de Guarda do Palácio;

11. Chave com morfologia que sugere sua fabricação no século XIX

12. Fragmento de maçaneta datado entre os séculos XIX e XX

13. Contas de colar comumente usadas por pessoas escravizadas. As duas contas de cima foram produzidas em osso, enquanto as de baixo são de vidro, de produção europeia

14. Frasco medicinal usado para conter pílulas, que no século XIX se tornavam cada vez mais populares

15. Frasco medicinal usado para conter líquidos, como xaropes

16. Colher metálica datada do século XIX

ESTRUTURAS ARQUITETÔNICAS REVELADAS

Estruturas arquitetônicas de grande relevância também têm sido reveladas, permitindo avançarmos no conhecimento sobre a história do palácio. Algumas dessas estruturas serão mantidas preservadas ou exibidas na nova exposição de longa duração do Museu Nacional, reafirmando o compromisso da instituição com o patrimônio arqueológico brasileiro.

Esses achados, que constituem novos recursos expositivos para a Quinta da Boa Vista e para o Palácio de São Cristóvão, serão apresentados ao público com informações sobre as pessoas e as atividades relacionadas ao seu cotidiano. Mostramos abaixo algumas das estruturas encontradas.

Arco de alvenaria e eixo central em pedra da Capela Imperial São João Batista após o início das escavações arqueológicas. A capela foi construída na década de 1840 e demolida no começo do século XX. Fotografia: Andrea Jundi.

Eixo central de alvenaria de pedra da Capela Imperial São João Batista após as escavações arqueológicas. Fotografia: Andrea Jundi.

Cisterna de alvenaria de pedra encontrada parcialmente enterrada que, datando de meados do século XIX, contribuía para o abastecimento de água do Palácio. Fotografia: Andrea Jundi.

SAIBA MAIS

As investigações no palácio vêm sendo conduzidas pelo Laboratório de Arqueologia Histórica (LAH) do Museu Nacional/UFRJ. Entre os diferentes projetos do LAH, está a pesquisa no Palácio de São Cristóvão, que inclui atividades de monitoramento e resgate arqueológico no âmbito das ações de restauração e reconstrução. Com a execução do projeto, procura-se compatibilizar a reconstrução do Museu com a necessidade de investigar, preservar e socializar os achados arqueológicos recuperados, que são de interesse para a sociedade. Com esse objetivo, tem-se buscado contribuir para a compreensão da trajetória histórica do Palácio de São Cristóvão, desde sua edificação, no início do século XIX, até os dias atuais, o que tem possibilitado à equipe do projeto revelar histórias não apenas sobre a nobreza brasileira, mas também sobre os trabalhadores livres e escravizados que tiveram suas vidas ligadas ao edifício.

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