Museu Nacional Vive

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Inscrições abertas para evento com lideranças quilombolas no Museu Nacional


O Museu Nacional/UFRJ e os parceiros do Projeto Museu Nacional Vive (UNESCO, UFRJ e Instituto Cultural Vale) promovem nos dias 28 e 29 de outubro o 3º Diálogos da Reconstrução, sob o tema “Memórias, saberes e patrimônios quilombolas no Museu Nacional”. O evento abre um espaço de diálogo e escuta com lideranças de diferentes regiões do país sobre produção cultural, preservação da memória e transmissão de conhecimentos.

O encontro trata os saberes, as práticas e as narrativas quilombolas como patrimônios vivos. A proposta é refletir coletivamente sobre como musealizar essas memórias e como o Museu pode contribuir para valorizá-las e difundi-las. As mesas de diálogo também vão divulgar procedimentos em curso que estão contribuindo para a formação de acervos para as futuras exposições do Museu.

Ouvir as lideranças quilombolas antes de definir o que será exposto, e como isto será feito, é um compromisso com um museu mais plural e democrático. As comunidades são coautoras das narrativas que o Museu vai apresentar

Quando uma mestra ceramista ou uma tecelã quilombola compartilha seu ofício, ela está transmitindo uma forma de conhecer o mundo. O papel do Museu e o compromisso do PMNV é criar condições para que esses saberes sejam reconhecidos, respeitados e apresentados como as próprias comunidades entendem que devem ser.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas por meio de formulário eletrônico. O evento será transmitido ao vivo pelo canal do Museu Nacional no Youtube.

PROGRAMAÇÃO

Quarta-feira, 28/10

14h – Abertura Institucional

Roberto Medronho, Reitor da UFRJ; Ronaldo Fernandes, Diretor do Museu Nacional; Lucia Basto; Gerente Executiva do Projeto Museu Nacional Vive; João Pacheco de Oliveira (SEE/MN); e parceiros do Projeto Museu Nacional Vive 

14h30 – Mulheres na luta pela terra – Mãe Bernadete presente!
– Jurandy Pacífico (Filho de Mãe Bernadete) – Quilombo Pitanga dos Palmares (BA)
– Bia Nunes – Presidente da Associação de Comunidades Quilombolas do Estado do Rio de Janeiro – ACQUILERJ 
– Selma dos Santos Dealdina Mbaye (Coordenadora do Coletivo de Mulheres da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas – CONAQ)   
– Érida Ferreira – Quilombo Ferreira Diniz (RJ)
Mediação: Michele Agostinho (SEE/MN/UFRJ)

Quinta-feira, 29/10

10h – Do Quilombo à Universidade: Presença, permanência, transformação 
– Pai Paulo de Ogum – Quilombo Bongaba (Magé – RJ)
– Sandra Batista – Diretora de Relações Étnico-Raciais da Superintendência Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade da UFRJ 
– Bia Nunes – Presidente da ACQUILERJ
– Rhayane Alves – Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS/MN) – Quilombo da Comunidade de Marinhos (Brumadinho – MG)
Mediação: Clarisse Rosa (SEE/MN/UFRJ)14h – Mãos que moldam, fios que unem: Arte e ancestralidade 
– Mestre Irineia – Quilombo de Muquém (União dos Palmares – AL)
– Eliana Lima M. Fernandes – Quilombo Gurutuba (MG)
– Gabriella Marinho – Artista Visual (RJ)
Mediação: Thais Mayumi Pinheiro (SEMU/MN/UFRJ)
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MAIS INFORMAÇÕES SOBRE AS MESAS E AS CONVIDADAS:


Mulheres na luta pela terra. Mãe Bernadete, presente!

A mesa destaca o protagonismo das mulheres quilombolas na defesa dos territórios ancestrais e os desafios que enfrentam na luta por direitos. Destaque à trajetória da Mãe Bernadete, assassinada em 2023, cuja memória inspira a continuidade da resistência quilombola por liberdade e justiça. Haverá doação do acervo pessoal ao Museu Nacional por seu filho, Jurandy Pacífico dos Santos.

Do Quilombo à Universidade: presença, permanência e transformação
A mesa propõe refletir sobre a presença e a permanência de estudantes quilombolas no ensino superior, destacando conquistas, desafios e estratégias de resistência. O debate abordará a importância das políticas de acesso e das ações afirmativas para a trajetória universitária desses estudantes e como a educação pode ser instrumento de transformação e de emancipação coletiva.

Mãos que moldam, fios que unem: arte e ancestralidade

A mesa trata das práticas artísticas das mulheres na preservação e transmissão de conhecimentos ancestrais, como a cerâmica e a tecelagem. O encontro valoriza esses saberes como expressões de memória, resistência e conexão entre gerações, reconhecendo a arte como parte viva do patrimônio cultural dos povos e celebrando a criatividade daquelas que dão continuidade e renovação a esses saberes.

Ana Beatriz Bernardes Nunes (Bia Nunes)
Professora e escritora. Graduada em Gestão Pública e pós-graduanda em História da África. É Presidente da Associação das Comunidades Quilombolas do Estado do Rio de Janeiro (ACQUILERJ), ex-presidente do Conselho Municipal de Direito da Criança e do Adolescente (CMDCA) e Coordenadora do Fórum DCA Magé. É Vice-Presidente do Conselho Estadual do Direito do Negro (CEDINE).

Érida Ferreira
É historiadora  pela UERJ, ativista e liderança quilombola, atuando como Presidenta fundadora da Associação da Comunidade do Quilombo Urbano Ferreira Diniz. Mestra de cultura popular e contra-mestra de Capoeira Angola (praticante desde 2001), acumula experiência como educadora e gestora da iniciativa Projetos Culturais Aluandê. Desde 2004, atua na produção de eventos culturais e, ampliando essa experiência através de formações em gestão artística e de projetos, desde 2015 vem atuando nas áreas executiva para cinema, streaming e canais nacionais e internacionais.

Gabriella Marinho

É formada em jornalismo com especialização em Literaturas Africanas pela UFRJ. A artista usa o barro, a argila e a terra como pontos de partida materiais e filosóficos para desenvolver o seu trabalho. Experimentando texturas e técnicas que trazem uma bagagem relacionada à identidade afro-brasileira e afro-diaspórica, ela explora formas orgânicas e abstratas e combina uma relação subjetiva e corpórea com a natureza, que ela pesquisa e recolhe nos territórios por onde passa a fim de compor o seu trabalho. Além de possibilitar novos olhares para a linguagem da cerâmica, sua obra é permeada por uma relação ativa com a arte-educação, meio pelo qual ela experimenta práticas coletivas e cria pontes entre o fazer artístico, os saberes da terra e a vida das pessoas. Em 2026, foi contemplada com a residência Artist Now Award, na The Eden Arts Foundation. Foi selecionada como uma das dez artistas negras emergentes no Brasil pela MOOC100 e indicada ao Prêmio Pipa em 2023. Entre as suas exposições, destacam-se: FIM como MEIO (Coletiva, Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, Rio de Janeiro, 2026); Cerâmica: a argila como matéria prima (Coletiva, Arte SESC, Rio de Janeiro, 2025); Ofício: Barro: Gabriella Marinho: Argila-Griô (Individual, Sesc Pompeia, São Paulo, 2024); Ancestral: Afro-Américas [EUA e Brasil] (Coletiva, MAB FAAP, São Paulo / CCBB BH, Belo Horizonte, 2024; CCBB RJ, Rio de Janeiro, 2025); Ressignificar no Tempo (Coletiva, MOVART, Luanda, 2024); Um defeito de cor (Coletiva, MUNCAB, Salvador, 2023; Sesc Pinheiros, São Paulo, 2024); The Whisper Beneath (Coletiva, Treasure Hill Artist Village, Taiwan, 2022).

Irinea Rosa Nunes da Silva

Mestra da arte em argila e guardiã dos saberes tradicionais quilombolas.  Aos 79 anos e mãe de 11 filhos, é reconhecida como mestra artesã e importante representante da Comunidade Quilombola do Muquém.  Sua trajetória é marcada pela dedicação ao trabalho, à família e à preservação dos saberes tradicionais, constituindo um testemunho de força, resistência e compromisso com a memória cultural de seu povo. Há 45 anos, dedica-se à arte de trabalhar com argila, transformando a matéria-prima extraída da terra em objetos que expressam identidade, sensibilidade e pertencimento. Suas mãos dão forma ao conhecimento construído pela experiência, pela persistência e pela relação profunda com o território.  Sua arte ultrapassa a dimensão estética ou utilitária: cada peça representa a continuidade de uma tradição e a permanência de um saber transmitido por gerações e que fortalece a identidade coletiva.

Paulo José dos Reis (Pai Paulo de Ogum)
Professor, terapeuta holístico, Conselheiro do Cedine (Conselho Estadual do Negro) representando a Acquilerj, Mestre de Saberes Tradicionais na UFRJ, Membro da Academia de Cultura e Letras do Brasil (Acilbras) em Volta Redonda, liderança do Quilombo de Bongaba, Diretor do Pré Vestibular Social do Quilombo de Bongaba Kilombá e Autoridade Civilizatória do Ilê Axé Ogun Alakoro.

Rhayane Estefane Alves é quilombola da Comunidade Quilombola de Marinhos, em Brumadinho- MG, cientista social pela Universidade Federal de Viçosa- UFV e mestranda em Antropologia Social pelo Museu Nacional-UFRJ, onde integra o Laboratório de Antropologia e História-LAH. Sua trajetória de pesquisa aborda os efeitos do rompimento da barragem da Vale sobre comunidades quilombolas de Brumadinho, com atenção às festas de Reinado, às guardas de Congado e Moçambique e às formas de resistência comunitária. Atualmente, dedica-se a investigar as relações de parentesco, buscando compreender como as narrativas, tradições e dinâmicas religiosas se articulam na configuração da vida coletiva, na construção dos vínculos sociais e na produção de sentidos de pertencimento.

Selma Dealdina Mbaye
Quilombola e ativista. É articuladora política e coordenadora do Coletivo de Mulheres da CONAQ. Organizou o livro Mulheres Quilombolas: territórios de existências negras femininas, publicado em 2021. É Presidente do Fundo CASA Socioambiental e  Conselheira da Anistia Internacional, do Centro Brasileiro de Justiça Climática e da Amazônia de Pé.

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