Museu Nacional de portas abertas para o público acompanhar de perto o restauro do Paço de São Cristóvão
Além de visitar as exposições temporárias, em cartaz até 25/10, o público observa achados arqueológicos no palácio, elementos históricos recuperados, ornamentos restaurados e novas soluções arquitetônicas já implementadas

Quem visita as exposições temporárias do Museu Nacional/UFRJ encontra muito mais do que acervos científicos e obras de arte. Em seis ambientes do Paço de São Cristóvão, o público pode acompanhar de perto um edifício em reconstrução, observar marcas do incêndio de 2018, reconhecer diferentes momentos da história do palácio, conhecer achados arqueológicos e perceber, ao longo da visita, conexões entre arquitetura, arqueologia, conservação e restauro.
Em cartaz até 25 de outubro, as exposições “Bastidores da Ciência” e “Rescaldo das Memórias” ocupam salas do edifício histórico em reconstrução e ampliam a experiência da visita. A primeira apresenta técnicas, processos e práticas que fazem parte do cotidiano de um museu de ciências, da restauração e conservação à paleoarte, modelagem digital, taxidermia e ilustração científica. A mostra também reúne achados arqueológicos e ornamentos históricos restaurados. A segunda, individual de Vik Muniz, foi instalada na sala onde começou o incêndio de 2018, mantendo visíveis as vigas de aço retorcidas pelo fogo e apresentando obras produzidas a partir de cinzas e fragmentos resgatados do palácio.
Mas é o próprio Paço de São Cristóvão que oferece outra camada à experiência. Ao percorrer as salas, o visitante pode perceber como o trabalho de reconstrução também funciona como uma investigação sobre a história do edifício. Ornamentos restaurados, artefatos arqueológicos e vestígios construtivos ajudam a revelar diferentes temporalidades do palácio e orientam as decisões sobre sua recuperação.

Na sala do meteorito Bendegó, há elementos artísticos restaurados que, mesmo antes do incêndio, estavam encobertos por camadas de tinta, como pinturas ilusionistas e artísticas nas colunas, e o douramento dos capitéis.
Já no pátio da escadaria, por exemplo, que foi concebido como um pátio aberto, com uma calçada de granito em todo o seu perímetro, o visitante observa uma nova claraboia que protege o ambiente e seus acervos. Além disso, a antiga calçada foi localizada durante as intervenções atuais e está incorporada à nova pavimentação. Também estão mantidos visíveis os tubos de descida de águas pluviais e os ornatos com figuras marinhas, recuperados em sua função original de escoamento.

Em outro ponto do percurso, o visitante pode conhecer a história das colunas duplas que marcavam o acesso à antiga escadaria nobre. Previstas no projeto de 1860, elas permaneceram ocultas por mais de um século. A chamada Sala das Vigas é outro exemplo de como o projeto de reconstrução incorpora as diferentes camadas de história do edifício.

O espaço, que no período palaciano era um pátio aberto onde se localizaria a escadaria de acesso aos salões de festa e recepção de Dom Pedro II, conserva registros de diferentes momentos de sua construção. O projeto prevê a manutenção do pé-direito triplo e da ausência das lajes intermediárias, permitindo que o visitante apreenda diferentes temporalidades presentes nos materiais e elementos arquitetônicos. A abertura de vãos e a entrada de luz natural por meio de cubetas e telhas de vidro também recuperam parcialmente a experiência sensorial do antigo pátio.

A arqueologia acrescenta outra descoberta à história que poderá ser contada pelo novo Museu. Na grande sala atualmente ocupada pela “Bastidores da Ciência”, foram encontradas as fundações das antigas paredes que delimitavam alcovas — quartos sem iluminação direta que, no período joanino, eram ocupados pelos príncipes Pedro e Miguel, filhos de Dom João VI. Esses vestígios, identificados durante as obras, serão parcialmente revelados ao público por meio de um piso de vidro.
A experiência ganha especial força quando se percorre a sala de “Rescaldo das Memórias”. Ali, as marcas do incêndio permanecem visíveis na própria arquitetura, enquanto as obras de Vik Muniz transformam cinzas e fragmentos resgatados em matéria artística. A exposição propõe uma reflexão sobre perda, memória e reconstrução justamente no espaço onde o fogo teve início.
Em “Bastidores da Ciência”, por sua vez, o visitante encontra os conhecimentos e modos de fazer que sustentam o trabalho de um museu — entre eles processos de conservação e restauração — e pode conhecer achados arqueológicos, ornamentos históricos restaurados e outras práticas que normalmente permanecem fora do olhar do público.

“Esta é mais uma oportunidade para acompanhar de perto a reconstrução do Museu e viver novas experiências neste palácio em transformação, que reafirma sua função social ao promover encontros entre ciência, arte e arquitetura”, afirma Lucia Basto, Gerente Executiva do Projeto Museu Nacional Vive.
“Essa temporada de exposições, portanto, oferece uma experiência singular ao visitante: conhecer um patrimônio histórico enquanto ele é investigado, restaurado e preparado para uma nova etapa de sua história”, convida Ronaldo Fernandes, diretor do Museu Nacional/UFRJ.
Confira mais detalhes sobre o projeto de arquitetura e restauro do Paço de São Cristóvão AQUI.
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SERVIÇO
Exposições temporárias no Museu Nacional/UFRJ
“Bastidores da Ciência” e “Rescaldo das Memórias”
Até 25 de outubro de 2026
Terça a domingo, das 10h às 16h
Entrada gratuita, com retirada de ingressos pela Sympla.
Os ingressos para as sessões de cada semana são disponibilizados a partir das 13h das segundas-feiras.
Visitas em LIBRAS com tradução para o português: sábados, das 13h às 15h.
Agendamento de grupos escolares e de projetos sociais: [email protected]
Saiba mais em www.museunacionalvive.org.br
Realização
A programação especial é desenvolvida pelo Projeto Museu Nacional Vive, resultado de uma cooperação técnica entre a UFRJ, a UNESCO e o Instituto Cultural Vale. A iniciativa é viabilizada pela Lei de Incentivo à Cultura, Ministério da Cultura, Governo Federal. Conta com o apoio financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); patrocínio platina da Vale e do Bradesco; patrocínio prata do Itaú; patrocínio bronze da Axia Energia e da Cosan; apoio do J.P. Morgan, da Laranjinha Itaú e da Shell. O Congresso Nacional, o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) também são parceiros. A exposição “Rescaldo das Memórias” conta com o patrocínio da CAIXA, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, Ministério da Cultura, Governo Federal.